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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A Viagem – Crítica

                         Cloud Atlas Critica
Os irmãos Lana e Andy Wachowski, diretores da trilogia Matrix, se uniram à Tom Tykwer, de Perfume e Corra Lola, Corra, em um dos mais ambiciosos projectos cinematográficos dos últimos anos. E isso é um feito em tanto.
Basicamente, os três cineastas tentam colocar 6 filmes diferentes dentro de um mesmo longa, todos interligados de maneiras sutis (ou não tão sutis), tudo convergindo num conceito só. A Viagem é um filme com uma ideia interessante sobre a vida e a alma humana, que vai acabar dividindo opiniões entre o público. Concordando ou não, gostando ou não dessa essência, o projeto é um filme bem executado, belo e ambicioso.
Baseado no livro de David Mitchell, A Viagem é composto por 6 diferentes histórias, com diferentes personagens e diferentes estilos. Acompanhamos uma história de escravidão em 1849, uma romance homossexual em 1946 pós-Segunda Guerra Mundial, uma investigação jornalística em 1973, uma comédia britânica em 2012, uma ficção científica cyberpunk em 2144 e, por fim, uma história milhões de anos no futuro, após um evento chamado A Queda, onde a humanidade parece ter retornado aos seus primórdios.
Todas essas histórias são encenadas pelos mesmos atores. Nomes como Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant, Susan Sarandon, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Ben Whishaw, Keith David, David Gyasi, Zhou Xun e Doona Bae estão em todos os 6 contos em diferentes papéis. Essa repetição de atores serve para ajudar o espectador na transição entre histórias mas também ajuda muito em ilustrar o conceito cíclico do longa na tela. Some isso à atuações de alto nível do elenco, principalmente do óptimo Hugo Weaving, e não há como reclamar dessa decisão.
                          Cloud Atlas Critica 02
Porém, a parte de A Viagem que mais merece elogios é a parte técnica e a direcção de arte. Confesso que fiquei confuso ao escolher as palavras necessárias para descrever a qualidade do trabalho de fotografia, maquiagem e efeitos especiais do longa. Depois de muita deliberação, me contentei com “magnífico”, “estupendo” e “formidável”, respectivamente. Apenas para me fazer entender, preciso dizer que a cidade de Neo Seul é uma das coisas mais incríveis dos últimos anos nos cinemas (em termos estéticos) e que os atores do longa mudaram suas características raciais durante o filme: negros ficaram brancos em certas partes, ocidentais viraram orientais, etc.
A Viagem é um filme lindo. Esteticamente lindo, visualmente impressionante. Mas ele não se resume à beleza. O filme tem conteúdo, tem um conceito motor e vai contribuir muito para quem for aos cinemas. Se você tiver a chance, vá ver. Valerá o ingresso

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Busca Implacável 2 – Crítica

O diretor francês Olivier Megaton pega carona no bem executado Busca Implacável do compatriota Pierre Morel e faz o que ele sabe fazer de melhor, repetir. Já o tinha feito em Carga Explosiva 3, do mesmo Morel, e o fez novamente…
                 
Liam Neeson está de volta como Bryan Mills , um agente secreto da CIA que dizimou a quadrilha de tráfico de escravos para resgatar à sua filha. Um ano depois, em uma viagem a Istambul, Mills é surpreendido por uma visita de sua filha, Kim, e sua ex-esposa, Lenore. A feliz reunião se transforma em tragédia quando Lenore é sequestrada por um gangster a serviço de Murad, pai de um dos criminosos da quadrilha do filme anterior. Com sua esposa presa e Kim em fuga, Mill precisa, mais uma vez usar suas habilidades letais para localizar sua ex-esposa e eliminar todos em seu caminho.
Eu não estou aqui para falar mal de Busca Implacável 2, mesmo que a introdução aponte para isso, mas como falar mal de uma cópia de um ótimo filme? Não dá. Essa sequência é mais do mesmo, a história se repete mudando detalhes mas mantendo as famosas sequências de Taken, todas as cenas de ação você se lembrará ao ver esse segundo, inclusive detalhes de tipos de armas, carros e etc…
É uma pena que tenha sido assim, pois o filme foi muito bem executado mais uma vez, é um divertido thriller de ação, bem natural e plausível. As frases de efeito sempre presentes no vocabulário de Bryan Mills. Se você não ouviu (vá já ouvir!) eu explico: Segundo a teoria, o primeiro filme era uma metáfora para aquela situação onde o pai rabugento quer impedir que a filha perca a virgindade com o namoradinho, então ele sai movendo mundos e fundos e fazendo o possível para que sua filha “não seja levada” dele. Neste episódio veremos o fim da saca do namorado assanhado, literalmente dessa vez.
                 
Depois do sucesso surpreendente do primeiro Busca Implacável, nota-se melhorias para este segundo, principalmente na produção das cenas de ação que estão mais dinâmicas – fogem um pouco do meu gosto pessoal, mas sei que estão mais dentro do padrão da massa -, cortes mais secos e alternância de ângulos da câmera ajudam nessa montagem, e sai tudo bem feito. A música, elogiada no primeiro está muito presente aqui, e eu poderia destacar uma cena de interrogatório no primeiro ato do longa, onde a musica alterna o volume consoante as pancadas sofridas pelo interrogado que fico muito bem montada, da para sentir a pressão, literalmente.
Uma coisa que eu notei em Taken 2, é que infelizmente os trailer atuais contam muito além do necessário. Não só deste longa, mas de todos, infelizmente muitas cenas não me surpreenderam tanto como deveriam porque eu sabia que tal coisa ainda estava por acontecer. Porém, ainda assim, vale ressaltar a sensação de agustia que o longa te transmite e o quanto o suspense e a claustrofobia te pressiona.
Os atores não comprometem, à semelhança do primeiro, é um filme redondinho, joga completamente no seguro, ainda mais nesse que tem o primeiro como base. Liam Neeson está muito à vontade no papel, esta é a franquia dele, espero até que exista um terceiro longa para o vermos com Bryan Mills mais uma vez. Citarei Leco de novo, mas é inevitável não o fazer: Nesson é um astro da vida.
             
Resumo da obra, um ótimo entretenimento de ação, tão bom ou ainda melhor que o primeiro, principalmente se você não o vê à algum tempo (notará menos as semelhanças) e vale completamente à pena, é uma das franquias (já posso chamar assim produção?) de ação que ganha um bom espaço de destaque no cinema mundial.
Busca Implacável 2, ou Taken 2, chega aos cinemas nesta sexta-feira e é dirigido por Olivier Megaton (Carga Explosiva 3) e estrelado por Liam Neeson (Batman Begins)Maggie Grace (Lost)Famke Janssen (X-Men) e Leland Orser (Independence Day).

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Branca de Neve e o Caçador-Crítica


Entre 1812 e 1822 uma fábula compilada pelos famosos Irmãos Grimm, responsáveis por grande parte dos contos de fadas que conhecemos até hoje, protagonizada por uma garota de “cabelos negros como ébano, lábios vermelhos como sangue e pele alva como a neve” foi publicada. Surgia uma das primeiras menções a história de “Branca de Neve“. Com versões que variam de acordo com o país, a intenção ou oralidade, a origem do conto é controversa, sendo a interpretação dos Irmãos a mais conhecida e divulgada. Acompanhando essa variabilidade, suas adaptações para o cinema – que são realizadas desde 1902 – também contém particularidades, embora não tantas quanto as do longa de Rupert Sanders, o aventureiro “Branca de Neve e o Caçador”.
Nesta nova variante, Branca de Neve é feita refém por sua madrasta durante anos e, quando consegue escapar, é perseguida pelo caçador Eric, contratado pela Rainha Ravenna para encontrá-la. Contudo, após descobrir os motivos da fuga e reais intenções da rainha quanto à prisioneira, o honrado homem passa a auxiliá-la em sua fuga, iniciando uma jornada que envolve perigos, batalhas e seres mágicos. Seguindo essa premissa, a produção dirigida por Sanders difere extremamente do clássico conto, abandonando certas passagens da trama original enquanto abrange situações que visam tornar sua protagonista um pouco mais contemporânea, algo que seria genial se não falhasse categoricamente.
O principal motivo da ineficácia do filme é seu roteiro, responsável pela ridicularização de grande parte do elenco e ausência de momentos épicos que, embora não sejam estritamente necessários, são insinuados no decorrer de toda a narrativa.
O texto trabalhado por Evan Daugherty, John Lee Hancock e Hossein Amini além de abusar dos clichés habituais em filmes de aventura onde o papel feminino “deve” ser destaque – alterando completamente a história clássica envolvendo a maçã e incluindo uma rebelde princesa em busca de vingança que emana esperança motivando uma rebelião -, procura trabalhar uma dramaticidade extremamente sobeja em cenas onde ela seria perfeitamente descartável. Por exemplo, é compreensível que a vilã deve ser obsessiva e incontida, mas a busca por exibir emoção em cada take é tão cansativa e exacerbada que consegue reduzir a presença singular de Charlize Theron à uma persona digna de um dramalhão mexicano. Fora isso, o caráter dos outros personagens é inconstante, ao ponto de uma mesma figura hora mostrar-se honrada, hora desvirtuar-se completamente daquilo à que se propôs, hesitação que prejudica, sobretudo, a imagem do caçador, interpretado pelo duvidoso Chris Hemsworth.
Enquanto há exagero na formação destes personagens, o que dificulta qualquer identificação com a protagonista, entregue à desacreditada e nem sempre incompetente Kristen Stewart, é justamente a falta de vivacidade e atenção cedida à sua Branca de Neve. Com um desenvolvimento leviano e polido, aquele que deveria ser o ingrediente essencial para os momentos de aventura no filme, funciona de modo oposto, emitindo fragilidade e descrença toda vez que precisamos contar com algum heroísmo em cena.
Mas “Branca de Neve e o Caçador” não é moldado somente com erros, visto que todos os quesitos visuais do filme são estupendos. Seja a parte de arte, a concepção dos cenários, a animação dos seres criados em conjunto aos efeitos especiais, o figurino – que capta melhor a personalidade dos personagens do que os próprios atores – ou mesmo a maquiagem, tudo é uma grata surpresa, contando com atrativos dignos de admiração.
Fora isso, poder conferir a incrível interação entre os anões interpretados por Ian McShane, Eddie Izzard, Bob Hoskins, Toby Jones, Eddie Marsan, Ray Winstone e Nick Frost é sensacional. Cabe à pequena participação destes grandes atores os melhores momentos da projeção, os poucos que geram alguma satisfação.
Dito isso, é triste constatar que o filme seja construído com base em extremos, percebido que os atributos que o prejudicam, o tornam praticamente insuportável; mas os que o qualificam, fazem a experiência de presenciá-los algo prazeroso. Cabe ao espectador balancear se vale à pena tentar bloquear uma experiência vergonhosa para testemunhar outra magnífica; se deve estar à mercê de algo embaraçoso para arriscar maravilhar-se com algo visualmente soberbo – característica que, com as possibilidades atuais, não devia ser eventual.