quarta-feira, 12 de setembro de 2012

REVIEW | Ultimate Comics Spider-Man #14: Eu te ODEIO, Brian Michael Bendis!



Quando a Marvel criou o Universo Ultimate e anunciou que o Homem-Aranha participaria dele, a maioria achou que era, de certa forma, uma reinvenção moderna daquele personagem clássico que todo mundo conhece. Assim como foi com a origem de Peter Parker do Ultiverso, ele continuaria crescendo e passando por aventuras que seriam atualizações daquelas HQs clássicas. Havia até quem apostasse que, depois de algum tempo, a Casa das Ideias acabaria com o Universo Marvel 616 e colocaria o Ultimate como o principal.

Passados 12 anos da criação do selo, nada disso se concretizou. O Universo Marvel continua firme e forte e o Homem-Aranha Ultimate seguiu um caminho novo. Muitas das aventuras escritas por Brian Michael Bendis reutilizaram conceitos do personagem original, claro, mas este novo Peter Parker não envelheceu. No máximo, apenas um ano se passou para o personagem em cerca de uma década de publicações. Isso manteve duas das principais características do Homem-Aranha original e que foi tão bem explorada por Bendis: a inexperiência e o carisma do personagem. Sendo assim, os dois Peter Parkers seguiram seu próprio caminho.
Até que o Peter do Ultiverso morreu.
Agora, depois de criar toda uma comoção com a última aventura de Peter Parker, Bendis aparece no que aparenta ser o auge da forma como roteirista. Principalmente para acabar com as opiniões em contrário, o roteirista vem fazendo grandes HQs para Miles Morales, o novo Homem-Aranha do Universo Ultimate. Em Ultimate Comics Spide-Man #14 (Marvel Comics, 22 páginas, US$ 3,99), que é acessível aos estadunidenses desde a semana passada (e também aos brasileiros, via Marvel.com), Bendis dá mais uma tacada de mestre.
Aproveitando o atual momento do Ultiverso, que passa por uma grande divisão por conta da sagaDivided We Fall, o gibi confronta Miles com quatro peças importantes na vida – e no fim – de Peter Parker. De um lado está Steve Rogers, o Capitão América, que se sente culpado por ter deixado Peter morrer; de outro estão tia May, Gwen Stacy e Mary Jane, que sofreram muito com a perda do sobrinho/amigo/amor.
Um confronto único, que deixa Miles perdido, sem saber o que fazer. Afinal, ele só quer ser AWESOME como Peter foi.
Bom, não sei o Miles, mas quem consegue ser awesome no meio disso tudo é a Gwen Stacy…
Para continuar explicando os motivos pelos quais odeio o Bendis, farei dois parágrafos e uma foto com spoilers. É rápido, e você pode pular – se quiser.
No meio desse conflito, May, Gwen e MJ mostram total apoio ao Miles. Peter fazia aquilo tudo porque era uma boa pessoa, queria proteger aqueles que ele mais amava e fazer um bem para o mundo. Foi triste sim a morte dele, mas aquilo que ele lutou não deve morrer junto. Assim, em uma caixa, May Parker entrega para o jovem Miles aquilo de mais importante que Peter Parker deixou: os disparadores de teia.
Nessa hora eu (quase) chorei. Depois de toda a escalada emocional que Bendis tem promovido nos últimos meses, desde a morte do vilão (e tio de Miles) Gatuno, ver o legado de Peter chegando ao novo Aranha é algo que realmente mexe com o leitor. Afinal, o legado do Homem-Aranha deve viver.
Por isso, por essa emoção gerada em uma HQ de super-herói (algo raro), eu digo: eu te ODEIO, Brian Michael Bendis. Te odeio por ser tão bom. Sem contar que tudo isso é completado por uma arte cada vez melhor de David Marquez.
É, nós somos muito sortudos por poder acompanhar tudo isso.

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